Os ícones da minha geração estão a desaparecer. E não só, também aqueles que eram os meus ídolos.
Os desgraçados que por esta altura da vida andam na casa dos trinta e tal, portanto na fase descendente, estão a deixar de ter referências.
Agora foi o Michael Jackson…
Epá, o Michael Jackson era daqueles que um gajo pensa que não morrem. Mais, foi uma vida inteira a ouvir o Billie Jean, a ver os passos de dança inconfundíveis.
O Moonwalk, o Airwalk, o Earthwalk, o Papaputoswalk, o Dormircommiúdosnaminhacamanãofazmalnenhumemesmoqueváatribunalapareçodepijamaesafo-mewalk, e por aí fora.
Veja-se, estamos a falar de uma criatura que vendeu milhões e milhões de discos. Quase os mesmos que o Toni Carreira. E ao fim e ao cabo, o Toni não precisa de dançar. As vozes essas são quase iguais, um bocado apaneleiradas, fininhas. Já os filhos de Michael Jackson – que diga-se, são mesmo dele, basta ver a raça dos putos – não cantam. Ok, nessa parte o Michael Jackson ganha.
Ainda há pouco tempo me custou imenso ouvir uma coisa. Estava eu a fazer uns passos de dança do Michael (para fins meramente pedagógicos, porque de outra forma isso é um bocado rabeta) quando uma miúda se vira para mim e diz (ela estava virada para o lado, daí ter-se virado para mim. Por outro lado, se estava virada para o lado, como é que me viu a dançar?... E como é que consigo usar a palavra ‘lado’ tantas vezes na mesma frase?): “Epá, isso parece o Justin Timbarlake a dançar!”. Bom, primeiro não gosto muito que me tratem como ‘isso’, e depois espetei-lhe um bofetadão na tromba. É que já tinha aqui abordado uma história parecida, quando um miúdo me diz que não conhecia o Verão Azul nem o Tom Sawyer, e nessa altura não lhe bati, pelo que andava com esta atravessada há muito tempo…
Estes miúdos não têm a mínima noção de quem é o Michael Jackson. No que lhes diz respeito, ele é branco, começa logo por aí. A Dirty Diana é uma badalhoca que trabalha no Elefante Branco, a Billie Jean é um nome de traveca, Thriller é um filme que é acima de suspense mas abaixo de terror, We Are The World é o lema do G8 e o Beat It é um teledisco de dois gangs de gays (o que se formos a ver com atenção, até está perto da realidade).
Ou seja, lá perdemos mais um dos nossos.
Será que teremos mesmo que nos mentalizar que os verdadeiros ídolos e ícones de gerações estão a desaparecer, e daqui para a frente é só Cristianos Ronaldos?
Isso faz-me medo… Muito medo!